Fechamos os olhos para o mundo

Todo dia eu me lembro de que minha vida é fantástica, não que seja fantástica, mas ela é. Difícil de entender? A verdade é que fechamos os olhos para o mundo, para as pessoas e os animais. É impossível eu falar nesse breve texto sobre todas as coisas ruins que estão acontecendo nesse exato segundo, tanto nesse que eu escrevo quanto nesse dai, onde você está lendo. Mas não é difícil imaginar. Agora mesmo, em algum lugar, dezenas de mulheres estão sendo agredidas e/ou estupradas. Nesse exato momento, em algum lugar várias crianças acabam se tornar órfãos. A guerra está acontecendo, pessoas inocentes vitima de tiros, bombas e da maldade humana. Nesse exato momento incontáveis pessoas passam fome, morrem de desnutrição e de descaso. Os hospitais estão cheios de pessoas terminais, que sabem que seus dias estão contatos e vivem na luta e na esperança de apenas poder viver, poder ser feliz. Vemos o mundo todo dia, ignoramos as coisas, não prestamos atenção na nossa família, mas quantas pessoas queriam poder enxergar o mundo? Quantas pessoas queriam apenas ter uma família? Imagine que agora, nesse exato momento, pessoas de verdade, de carne e osso rezam para não apanhar mais, outras rezam para não morrer, para não ser estuprada, para que o irmão, já sem vida, abra seus olhos enquanto ela o segura em seus braços. Fechou os olhos? Imaginou tudo isso? É difícil, né? De acreditar. Tudo isso parece tão distante. Não parece real, a gente não vê isso. Nos acostumamos com as tragédias que já nem acreditamos que ela seja real. Tomamos nosso café da tarde enquanto passa na televisão uma reportagem sobre uma mulher que foi esquartejada em algum bairro pobre, e depois conversamos sobre como anda a faculdade e sobre a praia no final de semana. Nos tornamos insensíveis com tudo que não está no nosso circulo. As pessoas passam direito por moradores de rua, que tem uma história. Todo mundo tem uma história. Seu Orivaldo, morador de rua, 43 anos, fez alguma decisões erradas na vida, se perdeu, hoje mora na rua, mas faria qualquer coisa só pra ver as filhas novamente. Quanto nos tornamos juizes e carrascos desse jeito? Nós. Os humanos. As vezes nos sensibilizamos, seja com uma foto de um menino morto ou uma garota que foi assassinada. Mas a verdade é que essa comoção sempre vem tarde, quando não há mais nada a ser feito, e some rapidamente na mente das pessoas, que seguem suas vidas e esquecem que tudo de ruim chegou a acontecer. Quando foi que nós perdemos o rumo? Nós fechamos os olhos para o mundo.

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