Resenha: A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón

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Chego a ser suspeito para falar, A Sombra Do Vento é sem a menor sombra de dúvidas o meu livro preferido, conheci Calor Ruiz Zafon por “Marina” e depois de ler um livro dele é praticamente impossível não ler todos os outros que ele escreveu ou vai escrever.

Este livro lhe fará viajar, ele vai te prender – isso é um fato – e não vai te soltar até você acaba-lo, você vai se interessar, vai gostar, se entreter, se apaixonar, ter raiva e chorar, os livros de Zafon são assim, completos e repletos de sentimento.
Com ele você vai visitar Barcelona e se perder por entre suas ruas, conhecerá a e viverá a cidade e a história que nela se passa, passará a ser um dos personagens dessa trama.
O livro conta a história de Daniel Sempere, nas primeiras páginas, ainda criança ele é levado pelo pai a um lugar quase que mágico, entre as vielas de Barcelona, na espanha, no meio da madrugada Daniel é apresentado ao Cemitério dos livros esquecidos.

A Sombra do Vento

– Não podes contar a ninguém aquilo que vais ver hoje, Daniel – advertiu meu pai. – Nem mesmo à teu amigo Tomás. A ninguém.

– Nem sequer à mamã? – inquiri eu, a meia voz. O meu pai suspirou, amparado naquele sorriso triste que o perseguia como uma sombra pela vida.

– Claro que sim – respondeu, cabisbaixo. – Para ela não temos segredos. A ela podes contar tudo.

O Cemitério dos livros esquecidos é uma grande biblioteca extensa e praticamente infinita, são labirintos de estantes carregadas de livro que vão do chão até o enorme teto, era possível um homem se perder ali dentro – e dizem que já aconteceu – e seu pai o explica.

– Este lugar é um mistério, Daniel, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pela suas páginas, seu espirito cresce e torna-se mais forte.

Seu pai então o explica que é de costume que, da primeira vez que alguém visita o cemitério dos livros esquecidos, que se escolha um livro e prometa guarda-lo e se assegurar de que ele nunca fosse esquecido.

Foi ai então que passeando por aquele corredores majestosos e verdadeiras muralhas formadas de livros, entre tantas prateleiras com histórias e universos variados, eis que ele encontra em um canto, quase que a sua espera ali por anos, um livro chamado “A Sombra do Vento” de Julián Carax.

Tomado pelo ânimo de um bom livro, Daniel devora a obra em apenas uma noite, com uma ressaca literária e aquele gostinho de quero mais, Daniel decide que precisa ler livros desse mesmo autor.

– Sabes quantos exemplares como este há no mundo, Daniel?
– Milhares, suponho.
– Nenhum – precisou Barceló. – Exceto o teu. Os restantes foram queimados.

O modo com que a narrativa evolui é própria de Zafon, é como sua assinatura, e ninguém melhor para explicar A Sombra do Vento do que o personagem principal, falando justamente sobre A Sombra Do Vento de Julián Carax.

À medida que avançava, a estrutura do relato começou a lembrar-me daquelas bonecas russas que contêm inúmeras miniaturas de si mesmas no interior. Passo a passo, a  narração decompunha-se em mil histórias, como se o relato tivesse penetrado em uma galeria de espelhos e sua identidade se cindisse em duzias de reflexos e ao mesmo tempo um só

Enfeitiçado pelo mistério do seu primeiro amor literário, Daniel decide buscar por conta própria investigar o que acontecera com Julián Carax e se existissem, onde estariam as outras obras que ele havia escrito.

Além de Daniel, outros personagens roubam o coração dos leitores, o preferido da maioria é Fermin Romero de Torres, um morador de rua acaba por trabalhar na livraria da família Sempere.

O coração da fêmea é um labirinto de subtilezas que desafia a mente grosseira do macho trapaceiro. Se quiser realmente possuir uma mulher, tem de pensar como ela, e a primeira coisa é conquistar-lhe a alma. O resto, o doce envoltório macio que nos faz perder o sentido e a virtude, vem por acréscimo.
– Fermin Romero de Torres

A verdade é que é quase impossível não se apaixonar por essa obra magnifica, a história de Daniel se envolve com o passado de Julián que os dois personagens criam uma sintonia mágica, mesmo que não estivessem juntos, mas sim Daniel colhendo relatos de quaisquer pessoas que já tiveram contato com ele.

Você já se sentiu amigo de alguém que nunca conheceu?

Conclusão

O livro é nota 10/10, é escrito com uma maestria e prende o leitor, não fica nenhuma ponta no enredo que se conclui esplendidamente, além de “A Sombra do Vento” também fazem parte da coleção do Cemitério dos livros esquecidos “O jogo do Anjo” e “O Prisioneiro do céu”, lembrando que eles não são uma trilogia, mas sim três livros da mesma coleção, que se passam no mesmo universo, apesar de alguns terem personagens em comum, cada livro pode ser lido separadamente sem uma ordem certa.

Dica: Além de escrever, Zafon compõe músicas para serem ouvidas enquanto se pratica a leitura de seus livros, que tal ler A Sombra do Vento ao som de uma música feita pelo próprio autor?

Classificação: 5/5
Livro: A Sombra do Vento
Autora: Carlos Ruiz Zafón
Páginas: 400
ISBN: 9788560280094
Editora: Suma de Letras

Compre em: SUBMARINO | AMERICANAS | AMAZON

E você, já leu “A Sombra do Vento”? Nos conte nos comentários a sua experiência e se concorda com tudo que leu aqui, deixa também suas dicas para as próximas resenhas, obrigado por lerem, até a próxima.

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